De jornalista a político e jornalista mais uma vez (ou
sempre)
“O outro exemplo tirado dos acontecimentos
recentes, já agora no plano da inteligência em
ação, é a figura do jovem jornalista Marcio
Moreira Alves. Não começou a escrever agora, bem
o sei, e anos atrás já se notabilizara durante
aqueles tristes acontecimentos de Alagoas, de que saiu até
ferido fisicamente. Fora, entretanto, mais uma demonstração
de um sensacionalismo informativo do que mesmo de personalidade
como forma de expressão intelectual. Agora não.
Seus artigos posteriores ao movimento representam uma verdadeira
afirmação intelectual, não só pela
coragem de atitudes, mas ainda pela lucidez do pensamento e
pela elegância autenticamente literária da expressão.
Foi realmente uma revelação. Não sei que
futuro político terá o Sr. Miguel Arraes, nem
que futuro jornalístico terá o Sr. Marcio Moreira
Alves. Mas cada um a seu jeito – um no mais mortífero
embate dos fogos políticos entrecruzados e outro na difícil
encosta dos comentadores imediatos dos acontecimentos –
ambos passaram pela prova, ou antes,
pela provação, com grau dez”.
(Tristão de Athayde, 06/11/64)
“Marcio Moreira Alves, que ontem completou 28
anos, é a grande revelação de articulista
político de 1964, boa pedida para qualquer partido incluir
na chapa de deputado na próxima eleição,
quando houver, se houver”.
(Rubem Braga, 15/07/64)
“A única vítima não alagoana do tiroteio
da sexta feita, 13 de setembro de 1957, no interior da Assembléia
Legislativa de Maceió, foi um jovem repórter do
Correio da Manhã. Como redator chefe do jornal naquele
tempo, logo que eu soube, através de um confuso noticiário
de guerra, do ferimento do repórter, parti para o chamado
local dos acontecimentos. Fui encontrar (...) Marcito Moreira
Alves, o então caçula do Correio da Manhã,
com a perna suspensa no teto: uma bala calibre 45 estava encaixada
na sua coxa direita (...). Recostado nos travesseiros o repórter
de 22 anos tinha um bloco de papel sobre a barriga e na mão
um lápis. Redigia um informe para o jornal.
Tive sérias dúvidas quanto ao possível
salvamento da perna de Marcito. Mas vi logo que o jornalismo
brasileiro tinha ganho um repórter de fibra e de briga.
Foi preciso um não-tiroteio, o de 1º de abril de
1964, para revelar no repórter da Assembléia alagoana
o jornalista político que vão encontrar nos artigos
aqui publicados”.
(Antonio Callado, Introdução ao livro
A Velha Classe , 1964)
“Quem conhece de perto, sabe
que Marcito não é apenas o último membro
de uma estirpe de políticos mineiros (embora seja ele
carioca) a fazer uma meteórica carreira parlamentar.
Sua luta reveste-se de uma coragem e destaca-se por uma coerência
raramente encontradas entre os filhos da classe dominante brasileira
que, em alguns momentos de suas vidas, pensaram em trocar seus
interesses pelos interesses dos dominados. Nos idos de 1964-65,
enquanto certa parcela da esquerda brasileira (...) Marcito
deixava a redação do Correio da Manhã para
ir ao encontro da outra parcela, mais combativa, ligada aos
movimentos populares, que se encontrava nos cárceres”.
(Frei Betto, no Prefácio ao livro A Igreja e
a Política no Brasil, 19 de março de 1979)
“Marcio Moreira Alves tem um dom raro na imprensa
dos dias de hoje: ser leitura ao mesmo tempo obrigatória
e agradável, necessária e inevitável. Às
vezes, chega a extremos – pelo menos, no meu caso pessoal.
Explico: certos artigos eu leio, não concordo com as
idéias, mas, mesmo assim, aprecio a leitura, e termino
por considerá-la valiosa”.
(Eric Nepomuceno, na apresentação do livro
Manual do Cronista Aprendiz, 1995)
“O Marcio conta o que esse outro Brasil está
fazendo com o discernimento do repórter, a agudeza do
analista e mais o cálido envolvimento de um brasileiro
reconciliado com seus melhores sentimentos sobre a sua terra”.
(Luis Fernando Veríssimo, na apresentação
do livro Sábados Azuis, 1999)
“O amor pelos livros acompanha Marcio Moreira Alves pela
vida como parte de sua bagagem cultural; ele tem o que se chamava
antigamente de uma boa base em humanidades. Isso é mais
ou menos metade do que se deve exigir de um jornalista de primeiro
time. A outra metade pode-se dizer que seja composta por partes
iguais de muita coceira na sola do pé e muito poucas
papas na língua. Também aí Marcito preenche
a receita. É um repórter que não se contenta
em ler e ouvir: vai ver. E depois conta, do jeito que viu”.
(Luiz Garcia, na apresentação do livro
Gostei do Século, 2001)
“E, voltando ao Brasil, surprise!, surprise!,
eis que Marcito descobre o otimismo. A cúpula do poder,
políticos e que tais, cada vez se deteriorava mais. Mas,
por isso mesmo, enojado com as cúpulas, Marcito sedimentou
o seu sentimento básico de que o país não
era esse. Não podia ser. (...) Muitos de nós sabíamos
ou pressentíamos isso. Mas Marcito foi lá. Procurar
o pote de ouro no fim do arco-íiris”.
(Millôr Fernandes, na apresentação
do livro Brava Gente Brasileira, 2001)
“Marcio Moreira Alves é o melhor intérprete
e divulgador que conheço deste Brasil silencioso, que
teima em mostrar que pode dar certo. (...) Marcio está
sempre de coração e mente abertos para novas histórias.
E, sobretudo, sempre pronto a colocar o pé na estrada
e, com olhar sensível, despido de qualquer idéia
preconcebida, mergulhar e se deixar impregnar por este universo”.
(Beatriz Azeredo, na apresentação do livro
Histórias do Brasil Profundo, 2003)
“Caro senhor,
Sou um homem de setenta e sete anos, formado em advocacia e
leitor assíduo de sua coluna. Três atributos, a
meu ver, são indispensáveis em um ser humano:
vivência, instrução e conhecimento. Pelas
suas costumeiras aulas publicadas diariamente no O Globo, tomei
ciência de tantos lugares dos quais nunca ouvira falar;
de pessoas simples, de nacionalidade diversas, que se organizaram
e produziram mais que qualquer dos chamados “especialistas”;
de entidades filantrópicas que, na surdina, sem espalhafatos,
atuaram laboriosamente em benefício alheio e, particularmente,
com coragem de dizer, de indicar, de mostrar, de provar, de
não recuar; vez em quando, de suavizar os golpes mortais
que suas palavras causaram, sem curvar-se à ninguém;
de ser, em suma, um grande e honrado “brasileiro”.
Aprendi e ainda aprendo, lendo suas colunas, mais do que obtive
nos bancos escolares. Ontem assim fiz, saboreando cada palavra,
cada frase sobre o Governador de Minas Gerais. Não há
comentários a fazer!
Só lhe peço, caro Senhor Marcio Moreira Alves,
que jamais se deixe desestimular. Que continue sempre firme
e fiel às suas convicções, levando-as continuamente
à pessoas como eu, a fluência, a sabedoria e a
maestria de um Marcio Moreira Alves! Parabéns e que Deus
lhe acompanhe em sua caminhada”.
(Carta de um leitor, por e-mail, em 6 de dezembro de
2002)

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