Marcito Moreira Alves
A morte só tem sentido quando interrogada pela luz da fé.
Daí advem o consolo de que a vida se pereniza na dimensão eterna.
Para os que continuam vivos, resta enfrentar a ausência que ela causa com a saudade, a memória e o exemplo.
É o que tenho feito, juntamente com toda a família, amigos e companheiros com a ausência do Marcito.
Tenho lembrado o tamanho de seu coração, a força de seu talento, e a lembrança de seu amor a vida, o que o levou não apenas a vive-la, mas a exauri-la . Ninguém que com ele cruzou vida a fora deixou de notar a força de seus olhos que se irradiava às palavras que saiam diretas e cheias de convicção.
Não economizou elogios ou criticas quando sentia que tinha de fazê-las.
Não era homem de meias tintas. Os elogios ou críticas tinham de comover ou perturbar. Podiam exceder o tom, mas esbanjavam sinceridade.
As atitudes que tomou como homem que se posicionava, estavam sempre a flor da pele, ultrapassando as restrições da conveniência que sempre encarou como a caricatura da verdade.
Sentimos todos que perdemos um patriota, aquele que amou esse país e não hesitou em combater aqueles que ele julgava prejudicar esse amor.
Pegou forte e fundo os vendilhões do templo e pagou duríssimo preço por isso.
Curtiu o exílio com a dignidade sem concessões e, quando se reconstruiu, pedaço a pedaço, se tornou um dos colunistas mais respeitados e ouvidos deste país.
Conheci-o no auge de uma mocidade ávida, convivi com ele na maturidade profissional e acompanhei-o na prolongada moléstia que, até o fim, não conseguiu retirar o brilho dos seus olhos, o que pude verificar quando visitei-o pela última vez, em dezembro de 2008.
Um país adolescente e uma Democracia em construção, como a brasileira, necessita de Marcitos. São absolutamente indispensáveis pela contundência de sua sinceridade e o clamor de sua indignação que irrompe num país propenso a rebuscar enfeites na peneira que procura tapar o sol.
Marcito lavrou seu testemunho de vida, nos seus livros, nos seus artigos jornalísticos e na Câmara Federal.
As novas gerações devem lelo-los, seus amigos devem relembrá-los para que se saiba que o arbítrio e a violência jamais calaram, no Brasil, vozes claras, firmes, destemidas como a do Marcio Moreira Alves, nosso querido e inesquecível MARCITO.
Que o Senhor de todo o céu e de todas as terras, que o recebeu, saiba da nossa tristeza e quanto achamos justa essa acolhida.
José Gregori